O valor de um sorriso

O valor de um sorriso

Arrumei a casa, passei um café bem gostoso, trouxe da padaria uma porção de comidinhas gostosas pra esperar essa amiga tão querida, a Renata que escreve o Vieste. {nome de uma música linda do Ivan Lins}

Ela ganhou o Heitor recentemente, que veio na hora exata e com ares de festa, e está aprendendo diariamente e com ele a ser mãe. Vivenciando as delícias e agruras da maternidade.

Não sei precisar em que momento nos tornamos próximas, simplesmente aconteceu. Talvez por eu já ter sido mãe pela primeira vez. E é com o coração cheio de ternura que ela nos escreveu esse texto:

O valor de um sorriso

Por: Renata Ferreira

“Meu sorriso sempre foi minha marca registrada. De fato, minha gargalhada que sempre foi reconhecida de longe por aqueles que convivem comigo. Eu não consigo ficar muito tempo sem sorrir, sem fazer uma piada sem graça ou sem rir de um momento triste que eu esteja vivendo.

E não é porque eu seja assim otimista demais, viu? Meu humor é negro mesmo, esse é o segredo… O sarcasmo salva qualquer dia de autodestruição, pode apostar. Daí que eu me casei com alguém bem parecido comigo nesse quesito humor… Tá que ele não ri muito alto, é ainda mais tímido do que eu…

Mas, carrega em si a capacidade de rir do mal tempo de um jeito só dele e, sendo assim, sempre me peguei pensando sobre como seriam nossos filhos. Seriam eles sorridentes? Sérios? Sociáveis?

Três anos depois…

Nasce Heitor, nosso primeiro filho… E eu, de repente, vejo-me cansada da falta de interação inicial dele – e de qualquer bebê novinho. Não sei se acontece com todas ou se a minha carência fala mais alto aqui – pq vamos combinar que eu adoro atenção do meu filho e sonhava com o dia em que ele demonstrasse saber quem eu era e, mais ainda, que se comunicasse comigo…

Mas, o fato é que eu me enchia da rotina come-dorme. Juro.
Desculpem se ofendo vocês com minha sinceridade. Coração de mãe nem sempre é cor-de-rosa bebê... Levei meu tempo para conhecer meu filho e, claro, ele para saber quem era a dona daquela voz e cheiro tão conhecidos pré-nascimento. Normal.

Quanto vale um sorriso

Eu, repetindo para mim mesma as frases que tanto ouvi durante a gravidez, tentava organizar tudo na minha cabeça e no meu coração de 27 anos…

Mantras como “o único modo de comunicação dele é o choro” ecoavam em mim. Eu dizia isso mil vezes por segundo, mas algo não ornava, sabem?

No fundo, eu já entendia meu filho desde a concepção dele mas não dava o devido crédito para a nossa relação. Bebês se comunicam de diversas formas. Ok. O choro é o modo mais ‘óbvio’, mas existem sutilezas de movimentos, olhares e toques que podem, sim, ser tomados como comunicação. Todo o corpo comunica, responde, age...

E Heitor, aos poucos, foi desenvolvendo sua comunicação comigo de um jeito só nosso.

Primeiro o olhar. Antes, esse que não se fixava em nada quase, passa a procurar os meus olhos quando estamos juntos. Depois, aos mãos. Antes, essas bem desconexas e descordenadas, passam a procurar minhas mãos quando eu o toco. Enquanto o alimento, sinto as mãozinhas dele apertando as minhas. Meu filho aprendendo a falar com o corpo…

O idioma primitivo mais sublime que há. A coisa vai se desenrolando de tal maneira, que aquela falta de interação inicial se torna – para mim – uma preparação para essa fase de ‘paquera’ mais ativa entre nós. Eu sabia, filho. Sabia que você me conhecia!

E então que, aos dois meses e um dia, surge o sorriso. Não estou falando do sorriso de reflexo, aquele automático que bebezicos dão. Estou falando de um sorriso olho-no-olho. Aquele que derrete você todinha.

É preciso muitas lágrimas para saber o valor de um sorriso?

E esse sorriso, pessoas, é a nossa ‘contratação’ como efetiva. Funciona assim: os olhares, os toques, o chororô e tudo o mais é nosso contato inicial. Nosso período de experiência. Agora, espera o filho sorrir DELIBERADAMENTE para você – significa que você passou no teste dele. Ele confia em você. Quer cumplicidade.

Aquela cumplicidade que você tanto buscava desde o primeiro dia. Tava lá. Escondida. Agora, ele mostra para você junto com toda a banguela fofa dele. E você se derrete.

Você pensa diariamente sobre como esse menino vai te dobrar fácil-fácil com esse sorriso dele. Imagina quando começar a falar?

Se bem que… Palavras parecem até vulgares demais perto do primeiro sorriso de um filho… (pausa para limpar minhas lagriminhas)
Hoje sou a réplica perfeita daquele tipo de ‘mãe boba’ de que se fala por aí. Falo com meu filho com aquela voz de besta e toco seu narizinho constantemente em busca de um sorrisinho que seja para iluminar meu dia. Ele, complacente, sorri de volta meio que entendendo a necessidade constante que sinto dele, mesmo ele estando logo ali.

Ele entende que esse sorriso é o início de uma nova fase da maternidade. Às vezes, pego-o sorrindo sozinho para o mobile…

Mobile intrometido! Eu deixo, claro. Não me meto. O mundo é de Heitor, quem sou eu para me colocar entre seu sorriso e suas novas descobertas?

E então vocês me perguntam: Diz aí, então, Renata, qual é o valor de um sorriso?

Para mim… para mim o sorriso dele vale meu coração todinho. Eu pego meu coração e entrego a ele assim, inteiro, a cada sorriso. E ele pega, tá? Ele não recusa, não. Filho nenhum recusa. Você que, como eu, pensa e repensa seu valor como mãe, tenha certeza de que seu filho não questiona isso nunca.

Qual seria o valor de um sorriso

Ele aceita… como só os verdadeiros anjos fazem: sem medir valor nenhum. E esse sorriso, esse primeiro sorriso, apenas demonstra que seu filho cresce, o mundo o atrai, e você… E você tem a sorte de poder assistir tudo isso de camarote, amiga. A vida tem dessas, de um sorriso ela faz uma lição inteira.

E tenho dito.

(p.s.1. e se meu filho sorri para mim, queridos, eu me sinto mais forte – e mais bonita – do que a Mulher Maravilha, tá? desculpa.)

(p.s.2. e se meu filho será sorridente, sociável ou bem humorado…? Deixarei que ele mesmo siga decida sozinho… desde-que-continue-reservando-o-melhor-sorriso-só-para-a-mamãe. Rá!)”.

Outras informações acesse https://worldsoccer2014.co.uk/

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Mariano Gomes

Blogueiro e formado na universidade do Rio de Janeiro na área de economia. Não segui nessa área e mudei. O mundo virtual trouxe outras oportunidades. https://worldsoccer2014.co.uk/sobre/

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