Filmes Para Criar Filhos

Filmes Para Criar Filhos

Este projeto visa apresentar filmes que propiciem a discussão de valores, que sirvam de trampolim para conversas e orientações, estreitando laços e fortalecendo vínculos entre pais e filhos.

Não crio meu filho para o mundo. Será?

O único critério para a escolha dos filmes é que este acrescente algo de positivo, que dialogue com as vivências de uma adolescente em formação. Porque acredito muito no cinema como ferramenta pedagógica para: aguçar a empatia, para reflexão de condutas e do cotidiano, para ampliar o contato com outras realidades. A ideia é utilizar esse projeto para além da finalidade de entretenimento. Segue nossa nova lista:

Persépolis – filme francês de animação. Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele, revive sua trajetória.

Posso dizer que esse foi um grande presente de dois amigos – Frank e Lígia – que percebendo o interesse da Bia por feminismo e literatura, emprestaram a ela o volume completo de Persépolis. Não foi lido. Foi devorado em apenas três dias!

Virou uma paixão! O convite para assistir a animação partiu dela, inclusive. Rimos e nos emocionamos e nos reconhecemos muito na história de vida de Marjane e na forma sincera como ela cultivava os seus relacionamentos familiares.

Infância Clandestina – filme argentino. Baseado em fatos reais. Em 1979 na Argentina, Juan leva uma vida clandestina, da mesma forma que seu pai, sua mãe e seu querido tio Beto. Fora do berço familiar ele é conhecido por um outro nome, Ernesto. e precisa manter as aparências pelo bem da família, que luta contra a ditadura militar que governa o país.

Tudo corre bem, até ele se apaixonar por Maria, uma colega de escola. Sonhando com voos mais altos ao seu lado, ele passa por cima das rígidas regras familiares para poder ficar mais tempo com ela.

Quantas infâncias foram perdidas durante esse período tão doloroso e pouco lembrado da ditadura? Sim, nos períodos nebulosos da História, existiam crianças em meio a clandestinidade. Como isso as afetava? Sob a perspectiva de uma criança, que tenta levar uma vida normal em meio às descobertas da adolescência, a ditadura é mostrada de forma não menos dramática, apesar de a violência ser estilizada em forma de animação. Um filme sensível, que traz a importância dos vínculos, da família, da remissão e do amor.

Como educar seus filhos. Será que serve?

Do amor e da poesia que coube ao tio não deixar amainar no período de clandestinidade. 

A Cor do Oceano – Nas Ilhas Canárias, uma turista alemã testemunha uma tragédia envolvendo refugiados. Um barco com africanos naufraga; entre os sobreviventes ela vê um homem com seu filho. Ela quer ajudar, mas um policial a afasta; seu cotidiano o transforma em homem desumano. Mas o refugiado Zola e o pequeno Mamadou entram em contato com a alemã que, contra a vontade do marido, decide ajudar. Mas o dinheiro que pretendia usar para ajudar os africanos a fugir para o continente provoca uma catástrofe que ela não poderia prever.

Esse filme não foi escolhido, o assistimos por acaso. Barcos são interceptados. Pessoas ficam à deriva, sem água, comida. Ficam à deriva de seus sonhos. Naufraga a esperança de uma vida mais digna. Sofrem de insolação, de desidratação. Morrem. Esquecidos por uns, chorados por outros. Viram estatística. Marroquinos, argelinos, senegaleses…humanos! Um filme denso, triste, mas de extrema atualidade sobre os problemas humanitários e políticos da Europa com o fluxo de imigração, em que as crianças são as principais vítimas.

As Melhores Coisas do Mundo –  Mano é um adolescente de 15 anos. Ele está aprendendo a tocar guitarra com Marcelo, pois deseja chamar a atenção de uma garota. Seus pais, estão se separando, o que afeta tanto ele quanto seu irmão mais velho, Pedro. Sua melhor amiga e confidente é Carol, que está apaixonada pelo professor Artur. Em meio a estas situações, Mano precisa lidar com os colegas de escola em momentos sérios e de diversão, típicos da adolescência nos dias atuais.

Quando Bia me chamou para assistir a este filme, torci o nariz para o elenco. Imaginei um daqueles enredos estilo Malhação. Fui só com a coragem e sem nenhuma expectativa. Fui surpreendida! Um filme que retrata a adolescência de forma honesta, crua, sem estereótipos, trazendo a complexidade do universo do adolescente de forma muito natural: primeiro beijo, os primeiros goles, as primeiras baforadas, a primeira transa. Aborda ainda o revenge porn, o bullying, o espelhamento dos adolescentes com adultos que tomam como referência, a separação, a homoafetividade, a ausência de diálogo e de vínculo com os pais.

Como criar filhos seguros. Já tentou?

Impossível não se reconhecer nos personagens.

A Fonte das Mulheres –  apresenta uma história que se passa em uma aldeira situada entre a África e o Oriente Médio, onde as mulheres são responsáveis por buscarem a água utilizada pelas famílias. Para isso, precisam caminhar grandes distâncias embaixo de sol escaldante, enquanto seus maridos ficam em casa bebendo e jogando. Um dos habitantes do vilarejo fica noivo de Leila, uma francesa que mora há algum tempo na região. A jovem não aceita a tradição e decide pôr fim a isso, exigindo que os homens passem a buscar água. Por se tratar de uma comunidade extremamente machista, a solução encontrada é fazer “greve de sexo”, o que, entre islamitas radicais, causa muitos problemas. 

A greve de sexo surgiu não só do questionamento sobre a divisão sexual das tarefas, mas pela necessidade de defesa de gestantes, que abortavam ao se acidentar no caminho para a fonte. A greve de sexo acaba interferindo nas relações familiares e religiosas de todos os habitantes da aldeia.

Um filme incrível que mostra o poder e a importância  de um ato de resistência para vencer a opressão; do poder transformador do questionamento, da não-submissão, da articulação e, sobretudo, do poder feminino. Um filme que mostra claramente, que mesmo o lado mais oprimido tem o poder de transformar a ordem estabelecida.

Ensinamentos importantes na fase da adolescência, em que eles precisam muito acreditar em si mesmos.

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Mariano Gomes

Blogueiro e formado na universidade do Rio de Janeiro na área de economia. Não segui nessa área e mudei. O mundo virtual trouxe outras oportunidades. https://worldsoccer2014.co.uk/sobre/

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